Journal Information
Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
Share
Share
Download PDF
More article options
Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐213
Full text access
VIVÊNCIA DE PESSOAS INFECTADAS PELO HIV, NA ABORDAGEM DA TEORIA FUNDAMENTADA NOS DADOS
Visits
1926
Beatriz Gomes Rodrigues, Silvia Cristina Mangini Bocchi, Priscila T. Julião Souza, Lenice do Rosário de Souza
Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP, Brasil
This item has received
Article information
Special issue
This article is part of special issue:
Vol. 25. Issue S1

12° Congresso Paulista de Infectologia

More info
Full Text

Ag. Financiadora: FAPESP

Nr. Processo: 2019/21440‐5

Introdução: A melhora da sobrevida das pessoas que vivem com HIV após o uso de terapia antirretroviral depende de sua adesão, a qual está ligada ao modo de entendimento da doença, à revelação diagnóstica, à presença de rede de apoio, às barreiras sociais e aos impactos psicológicos do diagnóstico.

Objetivo: Compreender a experiência psicossocial de pessoas que vivem com HIV e elaborar modelo teórico que a represente.

Metodologia: Pesquisa qualitativa analisada segundo a Teoria Fundamentada nos Dados e os resultados discutidos à luz do Interacionismo Simbólico, com portadores do HIV, acompanhados em um serviço especializado em Botucatu, São Paulo. A técnica de coleta de dados foi a entrevista não diretiva, sendo audiogravadas e transcritas na íntegra. A saturação teórica deu‐se a partir da análise da 18ª entrevista.

Resultados: A partir da análise dos dados emergiram seis subprocessos: doença não se revelando a princípio, descobrindo‐se com HIV, buscando estratégias de enfrentamento do diagnóstico, enfrentando dificuldades, percebendo as ideias pré‐concebidas sobre o HIV e visão atual. A partir do realinhamento desses subprocessos obteve‐se a categoria central (processo/modelo teórico): da culpabilização e negação à resignação na vivência com o HIV.

Discussão/Conclusão: O diagnóstico da infecção pelo HIV ainda está permeado pelo estigma da aids e pelo pouco conhecimento populacional sobre o assunto, o que é refletido pela reação inicial de temor do futuro, com receio do adoecimento e da morte. Dessa forma, a reação inicial está muito relacionada à negação do quadro e culpabilização do parceiro ou de si mesmo. Aqueles que aceitam o diagnóstico e aderem ao tratamento, o fazem com resignação, mas ainda mantém como fortes alicerces em sua vivência com o HIV o segredo diagnóstico, possuindo poucas figuras de apoio em quem confia. O principal impacto da infecção se dá nos relacionamentos, devido ao receio de não aceitação pelo parceiro, a constante pressão de como contar o diagnóstico, a mudança do modo como o próprio indivíduo se vê e o medo de transmissão, o que, em alguns casos, faz com que evitem se envolver em relacionamentos sérios. Apesar de, atualmente, a aceitação diagnóstica parecer preponderar, alguns indivíduos percebem até melhoras em sua vida e sentem‐se esperançosos com o futuro, porém observa‐se que a resignação vista ao diagnóstico se mantém. Apesar de poucas experiências de adoecimento e boa adesão medicamentosa, o futuro ainda é visto com medo, mantendo‐se o fantasma do adoecimento.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases
Article options
Tools