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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐366
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SÍNDROME OCULOGLANDULAR DE PARINAUD COM CULTURA POSITIVA PARA SPOROTHRIX BRASILIENSIS
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Amanda Silva Guimarães, Hugo Pessotti Aborghetti, Bruno Oggioni Moura, Luciana Catelan, Pedro Gabriel Coffler Zorzal, Ricardo Tristão Sá
Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (HUCAM), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES, Brasil
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Introdução: A Síndrome Oculoglandular de Parinaud (SOP) é uma rara conjuntivite granulomatosa, acompanhada de linfadenopatia satélite pré‐auricular ou submandibular, mais comumente causada por inoculação de patógeno na conjuntiva, principalmente a Bartonella hanselae. Há casos descritos na literatura de SOP por Sporothrix spp., escassos, sendo a maioria relacionados ao S. schenkii. Na última década, deu‐se mais atenção ao S. brasiliensis após surtos no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e, em menores porções, no Espírito Santo. Essa espécie possui maior virulência, com transmissão relacionada à mordedura ou arranhadura de felinos infectados.

Objetivo: Descrever um caso de SOP causada pelo S. brasiliensis.

Resultados: Paciente masculino, 24 anos, apresenta‐se ao ambulatório do Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (HUCAM), queixando‐se de lesão granulomatosa em olho esquerdo, hiperêmica, com ardência e dor esporádicas e sem melhora com uso de antibióticos, negando outras comorbidades. Relata possuir 3 gatos domésticos, estando 2 em tratamento para esporotricose, e que a lesão surgiu após uso de lentes de contato vencidas, sem outras lesões associadas. Passara por vários médicos, com tratamentos ineficazes. O exame físico era normal, com exceção de linfonodomegalias pré‐auricular esquerda e mandibular posterior esquerda. A principal hipótese diagnóstica foi de SOP por esporotricose ocular, tendo como conduta itraconazol oral (100mg, 4 comprimidos/dia) e acompanhamento ambulatorial mensal. Foi realizada cultura que evidenciou S. brasiliensis. Fez uso de itraconazol por 2 meses, sem melhora completa do quadro, trocando‐se o medicamento por iodeto de potássio (KI) 25%, 12mL/dia. Fez uso de KI por 3 meses, apresentando melhora do quadro, e o mesmo foi suspenso, com conduta expectante e retorno ambulatorial em 1 mês. O paciente retornou apenas após 4 meses, apresentando cura clínica e teve alta do serviço, orientado a acompanhamento oftalmológico.

Discussão/Conclusão: A esporotricose ocular é rara e pode ser a única manifestação da SOP, mas deve ser considerada em pacientes imunossuprimidos ou em quadro unilateral isolado acometendo principalmente a conjuntiva tarsal, podendo se estender para a bulbar. A história é essencial para o diagnóstico, visto que a causa mais frequente é inoculação traumática ou não por contato com animais ou objetos infectados. Deve‐se, assim, considerar esse diagnóstico e familiarizar‐se, uma vez que, apesar de causar cegueira em alguns casos, o tratamento precoce leva à cura.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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