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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐365
DOI: 10.1016/j.bjid.2020.101443
Open Access
PARACOCCIDIOIDOMICOSE SUBAGUDA SEPTICÊMICA LEVANDO A INFARTO ESPLÊNICO E TROMBOSE DE VEIA PORTA NO INDIVÍDUO IMUNOCOMPETENTE: A PROPÓSITO DE UM CASO
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Matheus Cordeiro Marchiotti, João Nobre Cabral, José Wilson Zangirolami, José Antônio Nascimento Bressa
Hospital Regional de Presidente Prudente, Presidente Prudente, SP, Brasil
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Introdução: A Paracoccidioidomicose (PCM) é a infecção fúngica sistêmica de maior prevalência na América Latina. Sua transmissão ocorre por inalação dos conídeos pelas vias respiratórias superiores, podendo acometer diferentes sistemas orgânicos. Classifica‐se em aguda/subaguda e crônica. Esta última corresponde a cerca de 90% dos casos. Já a forma aguda/subaguda cursa com evolução rápida.

Objetivo: Reportar caso de PCM subaguda septicêmica levando a infarto esplênico e trombose de veia porta no indivíduo imunocompetente.

Metodologia: Paciente masculino, 21 anos, deu entrada no hospital com quadro de linfonodomegalia generalizada, perda ponderal de 10kg, febre e inapetência nos últimos 4 meses. Ao exame físico: descorado, ictérico, emagrecido, hepatoesplenomegalia de grande monta. Os achados laboratoriais: BT: 5,7 à custa de direta: 5,1; albumina: 2,2; TAP: 32,1%; INR: 2,02; TGP: 49; TGO: 123; fosfatase alcalina: 206; gama GT: 447; plaquetas: 88.000; leucócitos: 14.770 (mielócitos: 2%, metamielócitos: 3% e bastões: 18%, eosinófilos: 33%). Descartado Hepatites Virais, HIV, Sífilis, HTLV e Leishmaniose Visceral. As biópsias da lesão de pele e de linfonodo cervical revelaram presença de fungos compatíveis com Paracoccidioides brasiliensis. Iniciado anfotericina B desoxicolato. Durante internação, evoluiu com dor abdominal súbita em hipocôndrio esquerdo de forte intensidade. Tomografia de abdômen evidenciou esplenomegalia com extensas áreas de menor realce esparsas pelo parênquima, sugestivas de infartos. Realizada investigação complementar através de ecodoppler do sistema portal, o qual constatou hipertensão portal severa e trombose total do ramo direito, sendo introduzido enoxaparina em dose terapêutica. Recebeu alta hospitalar com Itraconazol por 12 meses e seguimento no ambulatório de Infectologia.

Discussão/Conclusão: A forma subaguda septicêmica da PCM caracteriza‐se por acometimento do sistema fagocítico mononuclear, o que justifica as alterações hepatoesplênicas e adenomegalias generalizadas. Febre, perda de peso e anorexia são frequentes. Eosinofilia periférica é um achado comum, ocorrendo em 30 a 50% dos casos. Alterações estas vistas no relato descrito. A hipertensão portal é uma complicação rara e severa da PCM. O paciente citado apresentava sinais clínicos e de imagem compatíveis à hipertensão portal. O infarto esplênico é causa atípica de abdômen agudo. O presente relato configura um caso de infarto esplênico secundário a hipertensão portal, confirmada pelo doppler hepático.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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