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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
ÁREA: EPIDEMIAS E DOENÇAS EMERGENTESEP‐110
DOI: 10.1016/j.bjid.2020.101188
Open Access
SÍNDROME DO SARAMPO ATÍPICO: RELATO DE UM CASO E REVISÃO DA LITERATURA
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Marcela Símaro Gomes, Hanah Oliveira Resend, Flávio Trentin Troncos
Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), Marília, SP, Brasil
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Introdução: O sarampo pode se manifestar de modo atípico, como na síndrome do sarampo atípico, tendo poucos casos relatados na literatura. Sua patogênese envolve mecanismos imunes, que culmina em vasculite e pneumonite, manifestando‐se com febre alta e persistente, exantema purpúrico, eosinofilia e sintomas neurológicos (parestesias e hiperestesias). Há relatos da síndrome do sarampo atípico tanto em indivíduos previamente vacinados, quanto em não vacinados e imunocompetentes.

Objetivo: Descrever um caso de Síndrome do Sarampo Atípico atendido no HC‐FAMEMA.

Metodologia: Estudo descritivo com revisão da literatura (MEDLINE e LILACS) e do prontuário do paciente. Sexo masculino, 41 anos, apresentou‐se com quadro de cefaleia, mialgia, febre, tosse seca e odinofagia há 10 dias. Relatou conjuntivite bilateral não purulenta, exantema purpúrico em membros e abdome. Relatou palidez seguida de cianose em quirodactilos, compatível com fenomeno de Raynaud. Negou alergias, comorbidades, uso de substâncias psicoativas e medicamentos contínuos. Na admissão estava febril, com placas eritematosas em membros e abdome, dispneico, estertores à ausculta pulmonar. RX de tórax mostrava infiltrado basal bilateral. Hemograma demonstrando eosinofilia (22%), sendo 8900 leucócitos/mm3. Gasometria arterial (ar ambiente) evidenciando pO2 62,4mmHg, pCO2 31,4mmHg e pH de 7,46. Enzimaimunoensaio para Sarampo IgM e IgG reagentes. RT‐PCR para Sarampo Detectável em secreção de nasofaringe. Testes diagnósticos para outras condições resultaram negativos (Chagas, Hepatite B e C, Sífilis, HIV, Citomegalovírus, pesquisa de BAAR e fungos no escarro, hemoculturas, Influenza, Febre Maculosa). Foi realizada biópsia pulmonar: parênquima alveolar parcialmente colabado com mínimo infiltrado inflamatório linfocitário intersticial e espaço inflamatório com macrófagos esparsos, pesquisa negativa para BAAR e fungos, sem sinais de vasculite, granulomas ou neoplasia. Biópsia de lesões cutâneas demonstrou vasculite de pequenos/médios vasos. Paciente ficou internado 22 dias, evoluindo com melhora clínica.

Discussão/Conclusão: Considerando o contexto epidemiológico do paciente no que se refere a idade e possível vacinação prévia para sarampo, a evolução clínica, persistência da febre, o padrão purpúrico do exantema, os achados laboratoriais de eosinofilia periférica e as alterações histopatológicas de vasculite, associadas ao isolamento do vírus do sarampo em secreção de nasofaringe, foi considerada a hipótese de síndrome do sarampo atípico.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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