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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐143
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INFECÇÃO DO VIAJANTE POR PLASMODIUM FALCIPARUM: UM RELATO DE CASO
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Pietra Andrade Osti, Mylena Martins Almeida, Fábio A. Campos Júnior, Letícia R. Silva Cavalcante
Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT, Brasil
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Introdução: A malária é uma doença endêmica de áreas tropicais. No mundo, o continente africano é o mais acometido, apresentando alta prevalência de Plasmodium falciparum. Já no Brasil, a principal área acometida é a Amazônia legal, e a espécie, o Plasmodium vivax. Apesar da doença ter cura, a taxa de mortalidade ainda é elevada.

Objetivo: Relatar caso de malária por Plasmodium falciparum, importado do continente africano, com desfecho desfavorável, enfatizando a importância da prevenção, identificação e terapêutica precoce.

Metodologia: Paciente feminino, 48 anos, história de viagem a Moçambique, com retorno há mais de 2 semanas. Apresentava evolução clínica de 6 dias com piora de lombalgia crônica, astenia, febre com calafrios e colúria. Foi internada após o resultado positivo à pesquisa de malária por gota espessa, evidenciando Plasmodium falciparum. Permaneceu hospitalizada por 42 dias, evoluindo para óbito. Nesse período, obteve agravamento da situação com os diagnósticos de malária grave Falciparum; sepse devido malária grave; choque séptico com insuficiência renal aguda, síndrome da angústia respiratória aguda e obstrução arterial em membros inferiores (MMII), acarretando em amputação infrapatelar bilateralmente; traqueostomia; infecção do trato urinário; hemorragia digestiva; episódio de convulsão parcial; duas infecções de corrente sanguínea de diferentes etiologias; infecção traqueal; úlceras de pressão em diversas regiões; novo choque séptico decorrente de osteomielite em cotos dos MMII; se tornando refratário com insuficiência hepática. Utilizou 16 antimicrobianos, além de medicações sintomáticas, vasoativas, sedativas, anticonvulsivantes, anticoagulantes, insulina e hemodiálise.

Discussão/Conclusão: Apesar do acometimento por Plasmodium falciparum ser menos frequente, a gravidade do quadro é muito maior. Os sintomas tendem a aparecer após 12‐18 dias da infecção, pelo ciclo parasitológico e após isso, a terapêutica deve ser iniciada imediatamente. A destruição eritrocitária libera alta taxa de antígenos, culminando ao ataque malárico. Essa espécie tende a ter maior citoaderência endotelial, resultando em obstrução do fluxo microvascular, com comprometimento progressivo dos órgãos. Os sinais de gravidade incluem sonolência, hipotensão, dispneia, fenômenos hemorrágicos, icterícia, febre, oligúria, acidose metabólica e insuficiência renal. A recomendação de quimioprofilaxia aos viajantes de área endêmica e o estabelecimento do tratamento perante a suspeita diagnóstica são imprescindíveis.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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