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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
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Vol. 25. Issue S1.
12° Congresso Paulista de Infectologia
(January 2021)
EP‐301
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BACTEREMIA POR RHODOCOCCUS EQUI: UM CASO NÃO USUAL DE IRAS
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Camila Xavier Cabral, Diego Gonçalves Camargo, Regina A.M. Figueredo, Lindon Johnson A. Batista, Larissa Silva Saboya, Ana Beatrix Ferreira Caixeta, Fernanda Melo Vieste, Moara A.S.B. Borges
Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, GO, Brasil
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Ag. Financiadora: Financiamento Próprio

Introdução: Rhodococcus equi é um agente conhecido de infecções zoonóticas, podendo causar quadros graves em humanos, em geral relacionados à imunodeficiência celular, notadamente a aids. A forma pulmonar representa 80% dos casos e bacteremia 20‐35%.

Objetivo: Descrever um caso de bacteremia por Rhodococcus equi em paciente não HIV, classificada como infecção relacionada à assistência à saúde.

Metodologia: Paciente masculino, 56 anos, tabagista e etilista, portador de neoplasia de cólon, sem terapêutica prévia. Foi submetido a retossigmoidectomia e ileostomia em alça em setembro de 2020. Evoluiu com deiscência de anastomose colorretal, eventração e fístula êntero‐atmosférica. Tomografia de abdome com contraste evidenciou abscesso pélvico, tratado com drenagem percutânea, lavagem local via cateter e uso de ceftriaxone e metronidazol por 10 dias. Após, apresentou piora clínica demonstrada por confusão mental, taquicardia, desidratação, injúria renal aguda, impossibilidade de progressão de dieta enteral e necessidade de nutrição parenteral total. Amostra de hemocultura evidenciou Rhodococcus equi, com 99% de certeza pelo Phoenix100®, sem antibiograma disponível. Paciente negava antecedente de exposição a animais ou área rural; a sorologia para HIV foi negativa e não foram identificadas outras causas de imunossupressão. Não localizados outros focos infecciosos pulmonares ou cutâneos. Recebeu antibiótico terapia endovenosa com meropenem, vancomicina e azitromicina por 10 dias, com melhora clínica completa, restabelecimento de dieta via oral e hemoculturas de controle negativas.

Discussão/Conclusão: R. equi é um agente oportunista emergente, sendo o acometimento pulmonar e cutâneo necrotizantes os mais frequentes. Este caso difere da literatura por descrever uma bacteremia de provável origem intestinal nosocomial, sem exposição zoonótica, cujos fatores de risco identificados foram a imunodepressão secundária à neoplasia, associada à abordagem cirúrgica complicada com abscesso pélvico. R. equi é em geral susceptível a glicopeptídeos, macrolídeos, fluorquinolonas, rifampicina, carbapenêmicos, aminoglicosídeos e linezolida. A terapêutica inicial recomendada é a associação de dois a três antimicrobianos. Pela restrição da via enteral, a sepse e a injúria renal, o tratamento triplo foi escolha assertiva visto a gravidade do paciente. Infecções não usuais devem ser suspeitadas em pacientes expostos a antimicrobianos de amplo espectro e o investimento em métodos diagnósticos acurados é essencial para o sucesso terapêutico.

The Brazilian Journal of Infectious Diseases

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