O enfrentamento à epidemia de HIV, é um dos objetivos globais do desenvolvimento sustentável. A realização de estudos epidemiológicos, voltados aos casos notificados de HIV e suas medidas profiláticas fornecem uma documentação atual para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes. O presente estudo objetivou verificar se houve alteração no número de notificações de HIV/Aids através da análise dos anos anteriores e posteriores à implantação das medidas profiláticas pré e pós-exposição (PrEP/PEP).
MétodosEstudo epidemiológico, observacional, transversal e retrospectivo de caráter descritivo com base nas notificações de HIV/Aids nas cinco macrorregiões brasileiras, entre janeiro de 2005 e dezembro de 2020, fornecidas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), estando isento de apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
ResultadosNo período estudado, foram identificados 614.715 casos de AIDS no Brasil, distribuídos entre Sudeste (42,69%), Sul (21,07%), Nordeste (20,2%), Norte (9,19%) e Centro-Oeste (6,82%). Nos 5 anos anteriores a implementação da PEP, em 2010, o número de diagnósticos anuais apresentou média de crescimento aproximada de 1,92%, superando os 40.000 casos em 2008 e 2009. Após 2010, a despeito do uso da PEP, as notificações evidenciaram aumento de 2010 a 2011 (4,89%) e de 2012 a 2013 (2,09%); entretanto mesmo mantendo valores diagnósticos elevados a média de 2010 a 2016 mostrou uma redução de 0,51%. Em dezembro de 2017 foi instituída a PrEP e a tendência de redução manteve-se perceptível nos 3 anos seguintes, com queda para 11.880 casos de AIDS identificados em 2020 e média de 23,77% de redução no período. A maioria (64,35%) do sexo masculino, entre 20 e 34 anos (40%).
ConclusõesPercebe-se pequena variação no número de casos no país na maior parte do período analisado, o que sugere que ainda é necessário desenvolver e estimular a busca por antirretrovirais e acompanhamento especializado, fornecidos pelo SUS à população, para controle satisfatório da doença. Além disso, apesar do cenário de queda após a implementação das profilaxias, devemos considerar que a situação epidemiológica atual do Brasil ainda não é favorável ao controle da infecção por HIV, visto que o resultado com alto percentual de queda apresentado em 2020 pode ter sido fortemente influenciado pelo estado pandêmico gerando interferência significativa no rastreio e diagnóstico adequados neste ano.