Journal Information
Vol. 26. Issue S1.
(January 2022)
Share
Share
Download PDF
More article options
Vol. 26. Issue S1.
(January 2022)
PI 200
Full text access
MENINGITE EOSINOFÍLICA POR ANGIOSTRONGYLUS: RELATO DE CASO
Visits
2589
Raísa Lamara Cruz dos Santosa, Naiara Chaves Maiaa, Juliana Li Ting Matos Sun Barretoa, Gabriela da Costa Justinoa, Barbara Cristina Baldez Vasconcelosa, Natalia Marques Rodriguesa, Ana Gabrielle de Lucena Vieirab, João Vitor Duarte de Souzab, Andrea Virginia M. de Araujoa, Miguel Corrêa Pinheiroa
a Hospital Universitário João de Barros Barreto, Belém, PA, Brasil
b Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil
This item has received
Article information
Special issue
This article is part of special issue:
Vol. 26. Issue S1
More info
Introdução

A meningite eosinofílica é definida como a presença de mais de 10 eosinófilos/mm3 no líquido cefalorraquidiano e/ou eosinófilos compondo mais de 10% dos leucócitos totais. A eosinofilia no líquor se associa a um número limitado de doenças, principalmente infecções parasitárias, como a meningite causada pelo Angiostrongylus cantonensis, um parasita endêmico em diversas partes do mundo. O quadro clínico neurológico em geral apresenta rigidez nucal, náuseas, vômitos e cefaléia. O tratamento é realizado com medidas de suporte e corticoterapia, e a doença costuma ter curso autolimitado.

Descrição do caso

Criança de 11 meses, sexo feminino, com história de tosse produtiva e quadros febris por 15 dias, responsável refere episódio de ingesta de fezes de coelho, foi encaminhada para o Hospital Universitário João de Barros Barreto, após a administração de antibioticoterapia prescrita em Unidade de Pronto Atendimento ser ineficaz. Em sua admissão, a paciente estava hipoativa, com febre, irritabilidade e tosse produtiva esporádica, com leucocitose importante nos exames laboratoriais, obtendo hipótese diagnóstica de pneumonia e iniciando a conduta terapêutica com Ceftriaxona endovenosa, trocada por Cefepime em seguida. Após 3 dias de manutenção do quadro clínico, realizou-se o exame do líquido cefalorraquidiano, o qual apresentou aspecto turvo, cor clara, citometria com 750 células/mm³, predomínio de eosinófilos (50%) e ausência de bactérias, e o exame parasitológico de fezes, referindo ausência de helmintos e protozoários. Assim, foi estabelecido diagnóstico de Meningite Eosinofílica, e se acrescentou Dexametasona e Albendazol à terapêutica. No sexto dia de internação, um novo exame de punção lombar demonstrou um líquor incolor e límpido, com 95 células/mm³ e eosinófilos em 25%. No mesmo dia, a paciente cursou com convulsão, bradicardia e estado comatoso, sendo transferida para a unidade de terapia intensiva para estabilização hemodinâmica, e foi inserida sonda nasogástrica e suspenso o Albendazol. Além disso, o líquor foi enviado para análise através de imunoensaio para detecção de Angiostrongylus cantonensis, sendo o resultado positivo, foi dado início ao processo de transferência para hospital de referência a atenção pediátrica.

Comentários

Isto posto, é primordial uma anamnese criteriosa acerca dos sinais e sintomas e avaliar a presença de vetores no convívio do paciente para aliar à análise do exame do líquor para definir o diagnóstico e conduta.

Full text is only aviable in PDF
The Brazilian Journal of Infectious Diseases
Article options
Tools