
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoA prevenção da infecção pelo HIV permanece como a principal estratégia para o controle da epidemia global. Nesse contexto, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) constitui um dos pilares da prevenção combinada. No Brasil, somente em 2024, foram registrados 39.216 novos casos da infecção, com maior incremento entre indivíduos de 20 a 29 anos. Apesar de sua eficácia, a oferta da PrEP ainda é limitada, concentrada em grupos sociais específicos. Assim, compreender a dinâmica epidemiológica local e o perfil dos usuários é fundamental para subsidiar políticas públicas que ampliem o acesso, a adesão e a continuidade do uso da profilaxia.
ObjetivoCaracterizar o perfil epidemiológico dos usuários de PrEP da Regional de Saúde Sudoeste II de Goiás e analisar a associação dos fatores comportamentais com o uso e desfecho da profilaxia.
MetodologiaEstudo retrospectivo com a análise de 191 prontuários de usuários atendidos no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do município de Jataí, entre 2018 e maio de 2025.
ResultadosPredominaram homens, com mediana de 31 anos (18-68), pardos, solteiros e com ensino superior completo. A maioria se identificava como gay ou homem que faz sexo com outros homens. Quanto aos hábitos, 48,7% eram etilistas e 14% relataram uso de substâncias psicoativas. Entre comportamentos de risco para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), 59,2% referiram múltiplas parcerias sexuais e 40,8% o uso inconsistente de preservativo. A sífilis foi a IST mais prevalente previamente à PrEP, seguida por gonorreia, hepatite B e candidíase. Apenas 30 usuários apresentaram esquema vacinal completo para hepatite B. Eventos adversos foram pouco frequentes, destacando-se náusea, diarreia, cefaleia, dor abdominal, vômitos, seguido por prurido generalizado, vertigem, sonolência e acne. O tempo médio de uso da PrEP foi de 2,5 anos. Observou-se alta taxa de descontinuidade no primeiro ano (77%), associada à dificuldade de adaptação, esquecimento, mudança de residência e limitações estruturais do programa. O acesso restrito ao CTA, especialmente devido aos horários de funcionamento, impactou a continuidade do uso.
ConclusõesA implementação da PrEP em Jataí ainda enfrenta desafios relacionados ao acesso, à elevada taxa de abandono e a limitações estruturais. A descentralização da oferta, integração com a atenção primária e fortalecimento da prevenção combinada são estratégias essenciais para ampliar a cobertura e a efetividade do programa na região.
Palavras-chave: Infecção pelo HIV; Prevenção combinada; Epidemiologia.


