
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoO uso inadequado de antimicrobianos está associado ao aumento da resistência microbiana, eventos adversos e custos assistenciais. Diante desse cenário, a atuação do farmacêutico clínico, por meio do Programa Stewardship de Antimicrobianos, tem papel fundamental na otimização da farmacoterapia, promovendo intervenções voltadas à segurança e ao uso racional desses medicamentos.
ObjetivoQuantificar as intervenções farmacêuticas relacionadas ao uso de antimicrobianos nas unidades de terapia intensiva e demais unidades de internação de um hospital público, realizadas em 2024 e 2025, avaliando sua evolução ao longo do período analisado e seu impacto assistencial.
MetodologiaEstudo retrospectivo, quantitativo e descritivo, realizado a partir do levantamento das intervenções farmacêuticas registradas entre 2024 e 2025 em ambiente hospitalar. Foram analisadas as seguintes variáveis: identificação de duplicidade terapêutica, suspensão por finalização de tratamento, ajuste de dose e ausência de indicação clínica. Os dados foram comparados quanto ao volume total e à distribuição por tipo de intervenção.
ResultadosForam registradas 724 intervenções relacionadas ao uso de antimicrobianos em 2024 e 1.161 em 2025. Observou-se crescimento expressivo na identificação de duplicidade terapêutica (308 em 2024 vs. 641 em 2025) e nas suspensões por finalização adequada da terapia (230 vs. 310), evidenciando maior rigor no monitoramento do tempo de uso dos antimicrobianos. Os ajustes de dose também aumentaram (84 vs. 114), refletindo maior individualização terapêutica. Em contrapartida, houve redução das intervenções por ausência de indicação clínica (43 vs. 21), sugerindo melhora na qualidade inicial das prescrições. Em 2025, foram incorporados novos indicadores, como substituição terapêutica e identificação de sobredose, ampliando o escopo clínico das avaliações.
ConclusõesA comparação entre os períodos evidencia evolução significativa da atuação farmacêutica, com ampliação quantitativa e qualitativa das intervenções. O serviço apresentou transição de um modelo predominantemente reativo, em 2024, para uma abordagem mais estruturada e preventiva em 2025, contribuindo para a segurança do paciente, o uso racional de antimicrobianos e o fortalecimento das estratégias institucionais de controle da resistência microbiana.
Palavras-chave: Resistência Microbiana a Medicamentos; Uso Racional de Medicamentos; Gestão de Antimicrobianos.


