
V Congresso Goiano de Infectologia
More infoA Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) constitui importante problema de saúde pública, caracterizando-se por quadro clínico de início súbito com febre, tosse, dispneia e comprometimento respiratório, podendo evoluir para insuficiência respiratória e necessidade de suporte ventilatório. No Brasil, é definida como síndrome gripal associada a sinais de gravidade, como saturação de oxigênio inferior a 95%, desconforto respiratório ou hospitalização. A pandemia de COVID-19 intensificou sua relevância, evidenciando a alta transmissibilidade viral e a gravidade dos casos, com evolução para hipoxemia, síndrome do desconforto respiratório agudo e falência orgânica.
ObjetivoA vigilância da SRAG é realizada pelo SIVEP-Gripe, permitindo monitorar a circulação viral e a gravidade dos casos. Este estudo objetiva analisar dados epidemiológicos de SRAG em um hospital geral de médio porte em Anápolis-GO.
MetodologiaTrata-se de estudo descritivo, quantitativo, baseado na análise de fichas de notificação compulsória e resultados de painéis virais do LACEN-GO, entre janeiro e dezembro de 2025.
ResultadoForam notificados 269 casos, com maior incidência em julho, sugerindo influência sazonal. A maioria foi classificada como SRAG não especificada (72%), indicando limitações diagnósticas relacionadas ao acesso, tempo de coleta e sensibilidade dos testes. Entre os agentes identificados, destacaram-se Influenza A (12%), Rinovírus (9%), COVID-19 (4%), vírus sincicial respiratório (2,5%) e Adenovírus (0,5%). O baixo percentual de COVID-19 pode refletir contexto epidemiológico ou subnotificação.Houve discreta predominância do sexo feminino (50,1%) e maior concentração em idosos (> 60 anos), correspondendo a 67,2% dos casos, evidenciando maior vulnerabilidade dessa população. A taxa de letalidade foi elevada (31%), com destaque para óbitos em casos não especificados, além de Influenza A e Rinovírus, demonstrando potencial de gravidade desses agentes em grupos de risco.
ConclusãoOs achados reforçam a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica, ampliação da capacidade diagnóstica e intensificação de estratégias preventivas, especialmente para idosos. A elevada proporção de casos não especificados evidencia a urgência no aprimoramento da investigação etiológica, visando maior precisão e efetividade nas ações em saúde pública.


