A epidemiologia de candidemia alterou-se durante a pandemia de COVID-19, mas comparações diretas de episódios ocorrendo em pacientes com e sem a doença ainda são limitadas. O objetivo deste trabalho foi comparar apresentação clínica, distribuição das espécies, manejo e os desfechos dos casos diagnosticados em pacientes com e sem COVID-19, internados em um hospital universitário de alta complexidade.
Materiais e métodosFoi realizado um estudo de coorte retrospectivo, que incluiu pacientes adultos, consecutivos, com episódios de candidemia diagnosticados no período de fevereiro de 2020 a fevereiro de 2023. Dados demográficos, clínicos, microbiológicos, de tratamento e de desfecho foram comparados de acordo com a coinfecção pelo SARS-CoV-2. Análise de regressão logística múltipla foi utilizada para identificar os fatores preditores de mortalidade em 30 dias, entre os pacientes que receberam tratamento antifúngico.
ResultadosEntre 106 episódios documentados em 103 pacientes, 36 (34%) ocorreram em indivíduos com COVID-19. A incidência global foi de 4,41 episódios por 1000 internações. Os episódios associados à COVID-19 estiveram significativamente mais relacionados com internação em unidade de terapia intensiva, ventilação mecânica, exposição prévia a corticosteroides, maiores escores APACHE II, com hipotensão e uso de vasopressores. A sobrevida em 30 dias foi menor nos pacientes com COVID-19 (19,4% vs 48,6%; p = 0,003). Contudo, entre os episódios tratados, apenas o escore APACHE II e o uso de vasopressores mantiveram-se independentemente associados à mortalidade em 30 dias.
ConclusõesCandidemia associada à COVID-19 ocorreu em um cenário de substancial maior gravidade de doença aguda. Marcadores de gravidade, e não a infecção por COVID-19, foram os principais fatores determinantes de mortalidade observado nestes pacientes.
Conflito de interesseNenhum autor tem conflitos de interesse.
Comitê de éticaProjeto aprovado pelo CEP HUCFF.
Há Financiamento? EspecifiqueBolsa PIBIC-UFRJ.



