A COVID Longa é definida pela presença de sinais e sintomas que surgem durante ou após a infecção por COVID-19 e persistem por mais de 12 semanas, não sendo explicados por outro diagnóstico. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto da COVID Longa na funcionalidade e identificar fatores de risco associados à incapacidade.
MetodologiaTrata-se de um estudo de coorte prospectiva com 710 indivíduos recrutados entre agosto de 2022 e agosto de 2025. Foram realizadas 2.641 avaliações nos momentos T0, T3, T6, T12 e T24. A incapacidade foi avaliada pelo WHODAS 2.0 e pela Post-COVID-19 Functional Status Scale (PCFS). As variáveis funcionais incluíram fadiga (FSS), dispneia (mMRC), dor (END), tolerância ao exercício (TC6), independência nas atividades de vida diária (IBM) e força de preensão palmar. As análises longitudinais foram conduzidas por modelos lineares de efeitos mistos, considerando o tempo como efeito fixo e o participante como efeito aleatório.
ResultadosObservou-se redução progressiva e significativa da incapacidade ao longo do seguimento, com melhora parcial dos escores do WHODAS a partir de 3 meses. A tolerância ao exercício aumentou em todos os momentos avaliados. A fadiga reduziu significativamente apenas aos 12 e 24 meses, enquanto a dispneia apresentou melhora progressiva, com menor chance de maior gravidade aos 24 meses (OR = 0,07; IC95%: 0,05–0,11; p < 0,001). A dor e a força de preensão permaneceram estáveis. Fadiga, dispneia e dor associaram-se a maiores escores de incapacidade. Sexo feminino (OR = 2,59) e baixa renda (OR = 2,25) associaram-se a maior incapacidade.
ConclusãoA COVID Longa esteve associada à incapacidade persistente por até dois anos, com melhora gradual, porém incompleta. Fadiga, dor e dispneia foram os principais preditores de incapacidade. Conflito de interesse: Não.
Comitê de éticaAprovado pelo comitê de ética.
Há Financiamento? EspecifiqueSim, FAPERJ.



