A tuberculose é uma doença infecciosa relevante em saúde pública, causada pelo Mycobacterium tuberculosis e transmitida por via aérea. No Brasil, afeta principalmente populações vulneráveis com acesso limitado aos serviços de saúde. Pessoas em situação de rua apresentam maior risco de adoecimento e piores desfechos clínicos, devido à coinfecção por HIV, uso de substâncias e dificuldades na adesão ao tratamento.
Objetivo(s)Descrever o perfil epidemiológico da tuberculose na população em situação de rua no Brasil, no período de 2016 a 2024, analisando características sociodemográficas, clínicas, coinfecção por HIV, fatores de risco e desfechos clínicos.
Materiais e métodosEstudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, com dados secundários do DATASUS. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas, fatores de risco e desfechos (cura, abandono e óbito), por meio de análise descritiva.
ResultadosEntre 2016 e 2024, foram registrados 36.880 casos de tuberculose na população em situação de rua no Brasil. Observou-se tendência crescente no período, com aumento de 2.986 casos em 2016 para 6.187 em 2024. A região Sudeste concentrou a maioria dos casos 51,8% (n = 19.096). Os estados com maior número de notificações foram São Paulo 29,1% (n = 10.732) e Rio de Janeiro 14,8% (n = 5.447). Verificou-se predominância do sexo masculino 81,0% (n = 29.867) e a faixa etária de 20 a 59 anos 92,5% (n = 34.129). A coinfecção por HIV esteve presente em 24,8% dos casos (n = 9.133). Quanto aos desfechos, 28,4% evoluíram para cura (n = 10.486), enquanto 37,0% abandonaram o tratamento (n = 13.648) e 7,3% foram a óbito (n = 2.697). Em relação aos fatores associados, observou-se elevada frequência de uso de drogas ilícitas (62,1%), etilismo (55,7%) e tabagismo (51,0%). Entre os óbitos, destacaram-se os indivíduos etilistas (57,8%;), usuários de drogas ilícitas (50,8%) e tabagistas (44,9%).
ConclusãoA tuberculose em pessoas em situação de rua no Brasil apresenta aumento de casos, alta coinfecção por HIV e elevada frequência de fatores de risco associados. O elevado abandono do tratamento evidencia fragilidades no cuidado e desafios para o controle da doença. A concentração de casos em regiões urbanizadas, como o Sudeste, reforça a influência dos determinantes sociais. Assim, é fundamental fortalecer estratégias intersetoriais que ampliem o acesso ao diagnóstico, promovam adesão ao tratamento e reduzam desigualdades em saúde nessa população.
Conflito de interesseOs autores declaram não haver conflito de interesses.
Comitê de éticaEstudo com dados de domínio publico, sem necessidade de aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa.
Há Financiamento? EspecifiqueNão houve financiamento para a realização deste estudo.



