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Vol. 30. Issue S3.
Infecto RIO 2026
(July 2026)
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(July 2026)
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#000114 — MUCORMICOSE RINO-ÓRBITO-CEREBRAL EXTENSA: UM RELATO DE CASO COM EVOLUÇÃO ATÍPICA E RESTRIÇÕES TERAPÊUTICAS.

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Isabel Montagner Pinto Ricardo, Ana Clara Gonçalves, Maria Fernanda Gonzalez, Luciana dos Anjos Miranda, André Giglio Bueno
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Campinas, SP, Brasil
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Vol. 30. Issue S3

Infecto RIO 2026

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Introdução

A mucormicose é uma grave infecção fúngica oportunista, de rápida evolução e alta letalidade, prevalente em imunossuprimidos. A variante rino-órbito-cerebral causa dor, proptose, oftalmoplegia, perda visual, secreção nasal purulenta e necrose tecidual. Trata-se de uma emergência médica que exige manejo imediato com antifúngicos intravenosos, desbridamento cirúrgico agressivo e controle da doença de base. Este estudo relata um caso extenso dessa variante, destacando sua limitação terapêutica e apresentação clínica atípica.

Relato de caso

Paciente masculino de 59 anos, SP, com histórico de HAS, IAM prévio e DM2 descompensada, internou para investigação de cefaleia hemicraniana com 4 meses de evolução com neuropatia craniana progressiva à esquerda apresentando paresia facial, ptose e disfagia. No caso, em vez das habituais poucas semanas, a doença teve evolução atípica e arrastada. Avaliação da infectologia, biópsia de lesão óssea e exames de imagem (TC e RNM base de crânio) evidenciaram uma extensa lesão infiltrativa e destrutiva na base do crânio, confirmando o diagnóstico de mucormicose rino-órbito-cerebral com coinfecção bacteriana. Durante o tratamento clínico com Anfotericina B o paciente desenvolveu injúria renal aguda limitante; devido à extensão do comprometimento ósseo e vascular (envolvendo a carótida), o caso foi considerado inoperável. Diante da impossibilidade de tratamento curativo, a abordagem tornou-se paliativa, resultando na alta hospitalar do paciente com gastrostomia e seguimento por internação domiciliar, apresentando estabilização clínica e bom controle sintomático.

Comentários

A mucormicose rino-órbito-cerebral pode apresentar evolução subaguda e inespecífica, comprometendo o diagnóstico e a possibilidade de intervenção precoce. Na prática clínica, reforça-se a necessidade de investigação em pacientes com fatores de risco, como DM descompensado, diante de quadros arrastados e atípicos. Além disso, o caso destaca os desafios terapêuticos enfrentados na presença de doença avançada, incluindo a limitação do tratamento antifúngico devido à toxicidade e a inviabilidade de abordagem cirúrgica. Ressalta-se ainda a importância da integração precoce dos cuidados paliativos para garantir controle sintomático e qualidade de vida. Dessa forma, o relato de apresentação não clássica da mucormicose enfatiza a necessidade de abordagem individualizada, sobretudo em situações em que o tratamento curativo não é possível.

Conflito de interesse

Não.

Comitê de ética

Não.

Há Financiamento? Especifique

Não.

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