A mucormicose é uma grave infecção fúngica oportunista, de rápida evolução e alta letalidade, prevalente em imunossuprimidos. A variante rino-órbito-cerebral causa dor, proptose, oftalmoplegia, perda visual, secreção nasal purulenta e necrose tecidual. Trata-se de uma emergência médica que exige manejo imediato com antifúngicos intravenosos, desbridamento cirúrgico agressivo e controle da doença de base. Este estudo relata um caso extenso dessa variante, destacando sua limitação terapêutica e apresentação clínica atípica.
Relato de casoPaciente masculino de 59 anos, SP, com histórico de HAS, IAM prévio e DM2 descompensada, internou para investigação de cefaleia hemicraniana com 4 meses de evolução com neuropatia craniana progressiva à esquerda apresentando paresia facial, ptose e disfagia. No caso, em vez das habituais poucas semanas, a doença teve evolução atípica e arrastada. Avaliação da infectologia, biópsia de lesão óssea e exames de imagem (TC e RNM base de crânio) evidenciaram uma extensa lesão infiltrativa e destrutiva na base do crânio, confirmando o diagnóstico de mucormicose rino-órbito-cerebral com coinfecção bacteriana. Durante o tratamento clínico com Anfotericina B o paciente desenvolveu injúria renal aguda limitante; devido à extensão do comprometimento ósseo e vascular (envolvendo a carótida), o caso foi considerado inoperável. Diante da impossibilidade de tratamento curativo, a abordagem tornou-se paliativa, resultando na alta hospitalar do paciente com gastrostomia e seguimento por internação domiciliar, apresentando estabilização clínica e bom controle sintomático.
ComentáriosA mucormicose rino-órbito-cerebral pode apresentar evolução subaguda e inespecífica, comprometendo o diagnóstico e a possibilidade de intervenção precoce. Na prática clínica, reforça-se a necessidade de investigação em pacientes com fatores de risco, como DM descompensado, diante de quadros arrastados e atípicos. Além disso, o caso destaca os desafios terapêuticos enfrentados na presença de doença avançada, incluindo a limitação do tratamento antifúngico devido à toxicidade e a inviabilidade de abordagem cirúrgica. Ressalta-se ainda a importância da integração precoce dos cuidados paliativos para garantir controle sintomático e qualidade de vida. Dessa forma, o relato de apresentação não clássica da mucormicose enfatiza a necessidade de abordagem individualizada, sobretudo em situações em que o tratamento curativo não é possível.
Conflito de interesseNão.
Comitê de éticaNão.
Há Financiamento? EspecifiqueNão.



