Em PHIV, a SIRI associada à TB pode cursar com linfonodomegalias intra-abdominais e efeito compressivo sobre vísceras adjacentes, com manifestações clínicas atípicas.
Relato do casoMulher cisgênero, 31 anos, diagnóstico de HIV em dezembro/2025, com início de terapia antirretroviral (TAR) em janeiro/2026, com TDF/3TC/DTG. Após início de TAR, apresentou piora de perda ponderal, tosse, febre e sudorese noturna, evoluindo com icterícia de padrão colestático, com diagnóstico microbiológico confirmado de tuberculose disseminada (pulmonar, ganglionar, intra-abdominal e óssea). Colangioressonância evidenciou linfonodomegalias no hilo hepático com compressão extrínseca do colédoco, justificando a síndrome colestática. Após início do tratamento para tuberculose, houve melhora clínica e laboratorial, permitindo manutenção do esquema completo.
ComentáriosO caso ilustra uma apresentação incomum de tuberculose disseminada em pessoa com HIV, manifestando-se como síndrome colestática secundária à compressão extrínseca do colédoco por linfonodomegalias associadas à síndrome inflamatória de reconstituição imune (SIRI-TB). Esse mecanismo deve ser reconhecido na prática clínica, especialmente para evitar a suspensão indevida do tratamento antituberculoso por suspeita equivocada de hepatotoxicidade medicamentosa. Além disso, o relato reforça a importância do diagnóstico e tratamento oportunos da tuberculose em pessoas com imunossupressão avançada, bem como do rastreio adequado de infecções oportunistas antes e após o início da terapia antirretroviral. Nos casos de SIRI-TB com manifestações graves ou risco de complicações, a corticoterapia sistêmica pode ser necessária como terapia adjuvante, contribuindo para melhor desfecho clínico.
Conflito de interesseNão.
Comitê de éticaParticipante assinou TCLE; projeto aprovado no CEP do INI-Fiocruz (CAAE 88392618.4.0000.5262).
Há Financiamento? EspecifiqueNão.



