Apesar de o Brasil ter alcançado a eliminação da transmissão vertical do HIV (TV), novos casos continuam sendo registrados. Este estudo descreve o perfil de crianças infectadas pelo HIV por transmissão vertical, com o objetivo de identificar lacunas na cascata de cuidado materno-infantil.
MétodosTrata-se de um estudo descritivo realizado por meio da análise de prontuários e de um questionário estruturado. Foram incluídas crianças vivendo com HIV acompanhadas em um centro de referência para infecção pediátrica pelo HIV no Rio de Janeiro, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, nascidas entre 2019 e 2025. As variáveis analisadas incluíram características demográficas, momento da testagem do lactente (ao nascimento, 15, 45 dias e 3 meses), conforme protocolo do Ministério da Saúde, e o momento do diagnóstico do HIV em mães e crianças. Além disso, foram avaliadas a adesão à terapia antirretroviral (TARV) e as práticas de aleitamento materno.
ResultadosForam incluídas 30 crianças (2019–2025). Destas, 14 (47%) eram do sexo feminino e 25% brancas. O diagnóstico materno ocorreu antes da gestação em 4 casos, durante em 13 e após em 7. Vinte e quatro mães realizaram pré-natal (3 com menos de 6 consultas) e 17 não utilizaram TARV na gestação. Treze pais foram testados, sendo 10 reagentes. Cinco crianças foram amamentadas. A mediana de idade ao diagnóstico foi de 2 meses (0–48 meses), e 9 apresentavam manifestações clínicas ou infecções oportunistas. A TARV foi iniciada em mediana inferior a 1 mês após o diagnóstico.
ConclusãoApesar das metas de eliminação, ainda são identificados cerca de 5 casos por ano, associados principalmente a falhas no pré-natal. O diagnóstico tardio e o aleitamento materno reforçam a necessidade de fortalecer o cuidado no período pós-parto.
Conflito de interesseSem conflito.
Comitê de éticaIPPMG – Aprovado.
Há Financiamento? EspecifiqueCNPq Faperj.



