Stenotrophomonas maltophilia complexo (SMC) apresenta alta resistência aos antimicrobianos (AM), afeta pacientes imunocomprometidos e não é coberto pela terapia AM empírica da sepse. Embora haja literatura crescente sobre SMC, não há estudos longitudinais em Sepse Relacionada a SMC (SR-SMC). Métodos: Subprojeto de uma coorte prospectiva, longitudinal e híbrida de pacientes internados em uma UTI clínico-cirúrgica de hospital terciário, federal, do Rio de Janeiro, que investigou por 29 meses (2015 a 2017), episódios únicos e recorrentes de sepse-2 e/ou sepse-3 adaptado. Nesse subprojeto, foram incluídos todos os episódios de pacientes que tiveram a detecção de SMC em qualquer material clínico. Resultados: Entre 933 admissões (11.108 pacientes-dia), foram incluídos 374 episódios de sepse hospitalar em 242 pacientes na coorte. SMC (27 isolados - 23% dos pacientes com resultado post-mortem ou tardio) foi associado a 14% (52/374) desses episódios, em 9% (22/242) dos pacientes, sendo a etiologia da sepse em 38% (20/52) dos episódios, em 77% (17/22) dos pacientes. A maioria dos pacientes desenvolveu infecção (82%, 18/22) e o restante colonização. A sepse foi polimicrobiana em 75% (15/20) e 40% (21/52) dos episódios causados e associados a SMC, respectivamente, com outros Bacilos Gram-negativos Não Fermentadores (BGN-NF, 67%), sendo pneumonia associada à ventilação mecânica o principal foco. Detectamos superinfecção por SMC em 28% (5/18) dos episódios válidos, e infecção recorrente em 11% (2/18). A densidade de incidência de SR-SMC foi 5,52/1.000 pacientes-dia (95% IC: 3,99 – 7,43/1000), com razão 3,5 vezes maior durante o estudo, e formação de clusters espaço-temporais (p ≤ 0.04). Análises do genoma completo (ANI, Mash distance e SNPs) de dois isolados aleatoriamente preservados, com proximidade espaço-temporal, em pacientes pré e durante um dos clusters, identificaram Stenotrophomonas muris com elevado relacionamento genético. A mortalidade hospitalar geral foi de 68% (15/22; 95% IC:45%-86%) e as ocorrências regrediram após a morte de 9 entre 10 pacientes. Conclusões. SMC teve papel relevante e crescente na sepse hospitalar tratada em UTI, de forma recorrente e polimicrobiana, com outros BGN-NF, sugerindo sazonalidade e surtos. Importante distinguir S. muris devido a relato de diferenças em virulência e suscetibilidade aos AM. Aprimorar o diagnóstico e manejo precoce da SR-SMC é prioridade, e o seu isolamento em pacientes sépticos deve ser considerado.
Conflito de interesseOs autores declaram não há conflitos de interesse.
Comitê de éticaAprovado pelos CEP FIOCRUZ e HFSE (CAAE: 39978114.5.0000.5248; 39978114.5.3002.5252).
Há Financiamento? EspecifiqueEste estudo contou com bolsas da FAPERJ, CNPq, CAPES e CIEE-FIOCRUZ, apoio de voluntários do IOC-FIOCRUZ e uso do sistema REDCap com suporte da Vanderbilt University desde 2016.



