A esporotricose é uma micose subcutânea endêmica no Brasil, causada por espécies do gênero Sporothrix, com formas clínicas que variam de cutâneas a sistêmicas. O acometimento osteoarticular é incomum e geralmente associado à imunossupressão.
Relato do casoMulher, 27 anos, com imunodeficiência comum variável em uso de imunoglobulina endovenosa, púrpura trombocitopênica idiopática prévia com esplenectomia e doença de Crohn em uso de corticoide, apresentou dor, edema e secreção purulenta em membro inferior esquerdo há 14 dias, sem febre, sem resposta a cefalexina. Havia histórico recente de osteomielite tratada com ciprofloxacino e clindamicina por oito semanas, com recorrência dos sintomas. Ao exame, apresentava lesão pré-tibial com secreção purulenta. Ressonância magnética evidenciou osteomielite da tíbia com reação periosteal, coleções adjacentes e trajeto fistuloso. Exames laboratoriais mostraram leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios. Diante de falha terapêutica e imunossupressão, foram consideradas etiologias atípicas. Biópsia óssea identificou Sporothrix sp., confirmando esporotricose osteoarticular. Instituído tratamento com anfotericina B por 14 dias, seguido de itraconazol 400 mg/dia. Realizada abordagem cirúrgica com ressecção óssea e fixador externo. Evoluiu com necessidade de seguimento prolongado, evoluindo posteriormente a óbito por complicações relacionadas às comorbidades.
ComentáriosA esporotricose osteoarticular deve ser considerada em pacientes imunossuprimidos com osteomielite de evolução arrastada e refratária ao tratamento convencional. O diagnóstico frequentemente requer métodos invasivos. O manejo envolve terapia antifúngica prolongada associada, em muitos casos, à intervenção cirúrgica. O reconhecimento precoce pode impactar no prognóstico e evitar desfechos desfavoráveis.
Conflito de interesseSem conflitos de interesse.
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