Abscessos pulmonares são cavitações do parênquima com necrose supurativa, decorrentes de aspiração de conteúdos orais ou gástricos, tratados primariamente com antibióticos. Os Cuidados Paliativos (CP) buscam promover conforto a pacientes/ familiares com doenças ameaçadoras de vida. Por isso, manejar infecções exige compreensão da proporcionalidade terapêutica, focando na qualidade de vida, especialmente em pacientes com estado nutricional debilitado e baixa funcionalidade.
Relato de casoHomem, 57 anos, com carcinoma escamoso de língua (nov/24). Após falha de RT e QT, iniciou CP exclusivo em agosto/25 (KPS70), alimentando-se por GTT. Em set/25, procurou atendimento por dispneia, tosse produtiva e hipoxemia, sem febre (KPS40, PAPscoreB). Exames revelaram PCR 26mg/dl, 16040 leucócitos totais e imagem cavitária em ápice pulmonar direito. Ante o insucesso com amoxicilina/clavulanato, iniciou-se piperacilina/tazobactam. Cultura de escarro: Klebsiella pneumoniae multissensível; pesquisa de TB negativa. Visando a desospitalização, o antibiótico foi substituído por moxifloxacino. Apesar da melhora clínica e laboratorial, novo rx tórax (02/10/25) evidenciou hidropneumotórax. Em 08/10/25, realizou-se drenagem (pigtail) de 1.500ml de exsudato inflamatório (malignidade negativa). Devido à permanência de débito sem reexpansão, instalou-se coletor multicâmaras com aspiração intermitente. Cinco dias após, o líquido pleural passou a apresentar-se como empiema, sendo trocado para dreno tubular. Em 04/11/25, ainda sem reexpansão pulmonar, realizou-se corte do dreno tubular com colocação de bolsa de Karaya para seguimento ambulatorial. O paciente manteve KPS60, sem dor ou febre, pouca tosse e dispneia apenas aos esforços. Em 26/01/26, pela persistência da secreção purulenta (20ml/dia) e paquipleuris (confirmada por biópsia), realizou-se pleurostomia de Eloesser com ressecção cirúrgica de dois arcos costais e retirada de dreno torácico, permitindo o retorno à atividade laboral (KPS70).
ComentáriosO caso ilustra uma situação recorrente na prática clínica: infecções não relacionadas ao câncer em pacientes em CP. Tais condições são frequentemente curáveis e permitem a retomada da funcionalidade, independentemente do prognóstico oncológico. Para desfechos positivos é fundamental que os prescritores conheçam marcadores prognósticos e critérios de proporcionalidade, priorizando o alívio de sintomas e a conduta individualizada em parceria com equipes multiprofissionais.
Conflito de interesseNão há.
Comitê de éticaNão houve submissão.
Há Financiamento? EspecifiqueNão.



