A criptococose permanece como importante causa de morbimortalidade entre Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV), especialmente na presença de imunossupressão avançada. Estratégias de rastreamento são fundamentais para reduzir a mortalidade associada à meningite criptocócica. No Brasil, o teste rápido de antígeno criptocócico por ensaio de fluxo lateral (LF-CrAg) foi incorporado ao Sistema Único de Saúde como ferramenta para rastreamento e diagnóstico precoce, exigindo processos de implementação integrados aos sistemas laboratoriais, assistenciais e de vigilância em saúde.
Material e métodosEm abril de 2025, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro iniciou a implantação sistemática do LF-CrAg na Rede Laboratorial de Biologia Molecular, responsável pelos exames de carga viral e CD4/CD8. O teste passou a serem realizadas em todas as amostras de PVHIV com contagem de CD4 ≤200 células/mm³. As amostras foram registradas no Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL). Resultados reagentes foram comunicados imediatamente aos pontos focais municipais previamente definidos, utilizando identificadores padronizados, com o objetivo de assegurar resposta clínica oportuna, integração entre níveis de atenção e adesão aos protocolos nacionais vigentes.
ResultadosEntre maio e novembro de 2025, foram testadas 1.636 amostras de PVHIV com CD4 ≤ 200 células/mm³. Destas, 83 apresentaram resultado reagente para CrAg, correspondendo a uma prevalência global de 5,1%. A positividade mensal variou entre 3,2% e 8,3%, com maiores proporções observadas nos meses de julho (8,3%) e outubro (6,9%). No mês de junho, não foram identificados casos reagentes. A padronização do fluxo laboratorial permitiu comunicação tempestiva dos resultados e acionamento oportuno dos serviços assistenciais municipais.
ConclusõesA implantação do rastreamento rotineiro com LF-CrAg mostrou-se viável no contexto da rede laboratorial estadual e efetiva para a identificação precoce da infecção criptocócica em PVHIV com imunossupressão avançada. Os resultados evidenciam a relevância de estratégias de implementação baseadas na integração entre sistemas laboratoriais, vigilância e gestão municipal. O modelo adotado fortalece a resposta programática e contribui para a redução da morbimortalidade associada à criptococose no contexto do HIV.
Conflito de InteresseNão.
Comitê de éticaNão.
Há Financiamento? EspecifiqueNão.



